Sugestões de Pautas

Universidades públicas paulistas terão até 2019 para adotar cotas

Atenção, abrir em uma nova janela. PDFImprimirE-mail

Plano Estadual de Educação prevê cotas sociais e raciais para USP, Unesp, Unicamp, Fatec e instituições municipais.

Por Julia Daher

 

As instituições públicas de ensino superior do estado de São Paulo devem adotar políticas de cotas sociais e raciais até 2019. A ação está prevista na estratégia 12.10 do Plano Estadual de Educação do estado, sancionado em 8 de julho deste ano. Aprovado com um ano de atraso, o plano estabelece 21 metas educacionais para a próxima década.

 

alt


No texto, fica estabelecido como dever do estado “ampliar, na forma da lei, a participação proporcional de grupos historicamente excluídos na educação superior pública, inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas, estabelecendo uma política de cotas sociais e raciais”, com o 3º ano de vigência do plano, 2019, como prazo de cumprimento.

Além disto, para garantir a frequência de tais grupos aos cursos, o plano prevê (estratégias 12.13 e 14.8) a implementação de políticas de inclusão, permanência e assistência, a partir da oferta de “moradia, transporte, inclusão digital, creche e esporte”.

Também deverá haver uma mudança no público da pós-graduação. Pelo estabelecido na estratégia 14.6, o governo deverá implementar, em forma de lei, ações que diminuam as desigualdades no acesso das populações do campo, comunidades indígenas e quilombolas aos cursos de mestrado e doutorado.



GREVES NAS TRÊS ESTADUAIS
Concomitantemente a tramitação do Plano, estudantes das três universidades do estado de São Paulo - USP, Unesp e Unicamp - estavam em greve, entre outras reivindicações, por políticas de acesso e permanência.

Na Unicamp, os estudantes mantiveram uma ocupação da reitoria por 59 dias, que se encerrou no início deste mês mediante acordo com a reitoria. Na Unesp, alunos desocuparam a faculdade após intimação judicial. Na USP, além de alguns prédios de cursos ocupados, os alunos tentaram também recuperar os blocos K e L da moradia estudantil, mas foram duramente reprimidos pela polícia militar.

“O movimento defende cotas raciais e sociais, atreladas e distintas. De forma que todos que precisarem possam reivindicar suas cotas, sem problemas com os inúmeros filtros instaurados
Pela USP”, explica Mary Ellen, estudante do curso de Letras da Universidade de São Paulo e integrante do movimento “Por que a USP não tem cotas?”.

O grupo realizou nos dias 27 e 28 de junho, um festival com referências do rap nacional. Para Mary Ellen, o festival teve o intuito de difundir a cultura afrobrasileira dentro da universidade, em especial a cultura periférica. “A importância disso é instaurar e concretizar o nosso espaço, mostrar que também temos artistas, também temos cantores, também temos técnicos de audiovisual, temos tudo, separando o negro desse cenário racista em que ele apenas protagoniza como terceirizado”, comenta Mary.

 

Leia também:

- Governo do estado de São Paulo sanciona plano de educação

- “Querem conservar os privilégios e se recusam a abrir a USP para a sociedade”

- Plano de Educação de São Paulo não tem previsão orçamentária estadual

- Saiba como foi a tramitação do Plano Estadual de Educação de SP

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar