EJA e Educação nas Prisões

Cobertura da mídia não contribui para divulgação dos exames de certificação

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 Período analisado: março de 2005 a abril de 2006. 

 

Leia boletim completo sobre o tema. 

 

No período de março de 2005 a abril de 2006, o Encceja foi tema de apenas sete notas publicadas em 68 jornais impressos de todo o País. Em março do ano passado, Correio do Povo, O Estado de S. Paulo e Diário do Nordeste anunciavam a realização do exame e informavam datas para a inscrição dos candidatos e adesão das secretarias estaduais e municipais de ensino, além de destacarem que o material de apoio para estudo estava disponível no site do MEC.

Em setembro, O Estado de S. Paulo anunciou o número de inscritos – 60 mil -, e no mês seguinte, o mesmo jornal, além de Correio do Povo e Jornal da Tarde informaram o adiamento da prova em virtude do plebiscito sobre desarmamento, destacando que a prova também seria adiada no Japão e Suíça.

As notas foram claramente inspiradas em textos oficiais, e não traziam qualquer tipo de contextualização. Os textos não mencionavam o histórico do exame – seu nascimento em 2002 –, tampouco sua suspensão em 2003 e 2004. Não havia menção à sua relação com exames supletivos estaduais, nem consulta a nenhuma fonte.

Exames estaduais

Já exames supletivos estaduais foram tema de pequenas notas em jornais de Mato Grosso (Diário de Cuiabá), Rio Grande do Sul (Correio do Povo e Zero Hora), Ceará (O Povo), Paraíba (Jornal da Paraíba), Pernambuco (Jornal do Commercio), Pará (O Liberal) e Distrito Federal (Tribuna do Brasil).

De maneira geral, os textos informavam a abertura das inscrições para os exames ou sua data de realização. Como no exame nacional, não foram apresentadas informações adicionais de contextualização ou reflexões dos envolvidos no processo, como gestores ou candidatos. Apenas no Rio Grande do Sul houve outro tipo de repercussão nos textos. Num primeiro momento, as provas foram adiadas em função de intervenção do Tribunal de Contas do Estado, que apontou irregularidades no processo de licitação das empresas contratadas para a realização do Exame.

Depois da regularização do processo, os dois jornais gaúchos destacaram o alto índice de abstenção, que ficou em torno de 60%. Zero Hora (31/10) informou que o alto índice de abstenção não surpreendeu, uma vez que desde 2000 vem oscilando entre 42% e 49%. O jornal também anunciou que o governo estadual pretendia combater a ausência dos candidatos com a realização das provas em dias úteis (vinham sendo realizadas entre sábado e domingo), mas não explicou a afirmação do secretário estadual de educação, que vinculou as abstenções “ao fato de as inscrições serem gratuitas”. Estranha colocação, uma vez que desde a promulgação da Constituição de 1988, que determina educação básica pública e gratuita como direito, os exames supletivos em todo o país devem ser gratuitos, e o poder público não pode cobrar taxa de inscrição. O texto também destacou o custo do exame para a Secretaria Estadual de Educação: R$ 3,85 milhões.

Por fim, no período analisado, o Correio Braziliense (28/11) publicou um único artigo pautado pelo tema. Intitulado “A banalização do ensino supletivo”, o texto, de autoria de uma Promotora de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, criticava a reivindicação no sistema de justiça de autorização para a participação de pessoas menores de 18 anos nos exames supletivos “concorrendo para que seja ao máximo abreviado o ensino médio”. De um lado, o artigo defende que os Exames sejam exclusivamente acessados por jovens e adultos que não puderam cursar a educação básica na idade considerada adequada, de outro, toca num tema caro à conformação da educação de jovens e adultos de maneira geral, e dos exames supletivos, particularmente: o risco de constituir-se em alternativa barata para o alijeiramento da educação de jovens e adolescentes.

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