Ação na Mídia

Ranqueamento do Enem dominou a cobertura educacional

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Mais do mesmo. Assim podem ser definidas a divulgação e a repercussão dos resultados do Enem, tema de maior destaque nos jornais e revistas no período de 24 de abril a 4 de maio. Como nos anos anteriores, o MEC disponibilizou os dados de maneira a induzir a comparação entre escolas; e repórteres de todos os veículos assim o fizeram. Nada mudou.

Constatou-se que as escolas públicas têm pior qualidade que as privadas. Decretou-se a falência das redes estaduais de ensino. Visitas foram feitas às piores e melhores, na tentativa de explicar seu êxito ou fracasso. Veículos de circulação estadual ou regional trataram de comparar as médias das escolas locais com a nacional. Editoriais indignados foram produzidos.


Mas... ninguém lembrou a finalidade do Enem. Afinal, por que foi criado o exame? Avaliar aprendizagem de estudantes ou qualidade de escolas ou redes de ensino? É possível usar seus resultados para todas estas dimensões? Quem faz o Enem? Qual o seu público? Quem fica de fora?

Pública e privada

Por fim, todos os veículos manifestaram indignação diante do melhor desempenho de estudantes de escolas privadas, quando analisadas no seu conjunto. Apesar das ressalvas de especialistas sobre a impossibilidade de avaliar escolas a partir dos resultados do Enem, algumas reportagens (Folha de S.Paulo - 29/4 e 4/1 e Jornal da Tarde - 29/4), acertadamente, destacaram a vinculação entre desempenho satisfatório de escolas públicas e o quadro estável de professores. A informação apareceu como sendo um mérito da escola, ou de sua administração. Esta abordagem é delicada, pois induz à dedução que outros estabelecimentos não têm as mesmas condições por ineficiência de sua equipe dirigente, quando se sabe que a precarização do trabalho docente, principal fator da rotatividade, é de responsabilidade da gestão pública.

Destaques

Na homogeneidade que imperou na cobertura, dois textos trouxeram abordagens diferenciadas. “O que o ranking do Enem não nos conta”, texto de Antonio Góis, publicado na Folha de S.Paulo (20/4), e “Para educadores, só Enem não define a escola”, de Simone Iwasso, na Jornal da Tarde (30/4), chamaram a atenção para aspectos perversos e equivocados do ranqueamento entre escolas. A seleção socioeconômica e a exclusão de estudantes com necessidades especiais de aprendizagem foram alguns dos temas abordados (leia aqui análise crítica de características do Enem feita por especialistas).

Fundamental de 9 anos

O Jornal do Brasil (23/4) publicou reportagem sobre a implantação do ensino fundamental de 9 anos. A medida, que gerou intenso debate público em 2006, quando foi aprovada a Lei 11.247/2006, não vem sendo pautada. Acertadamente, o texto lembra que a partir de 2010 será obrigatória a matrícula de crianças de seis anos no ensino fundamental, divulga os municípios que ainda não adotaram a nova organização, e aponta os desafios dessa reestruturação, que, para muitos, se resumiu a mudar o nome das séries, sem as devidas considerações sobre o processo pedagógico. É importante que o tema seja abordado, sobretudo por jornais regionais, detalhando como a nova configuração do ensino fundamental vem sendo implementada em diferentes municípios.

Discriminação na escola

Na edição de 27 de abril, a revista Época publicou interessante e sensível reportagem de Ana Aranha sobre a homofobia na escola. O tema, praticamente invisível até o momento, tem um bom gancho para ser abordado no projeto de formação de educadores para a diversidade. A iniciativa é coordenada pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais e financiada pelo MEC. Fica a sugestão para a produção de reportagens locais que verifiquem se e como o trabalho vem sendo difundido nos diferentes estados e municípios (leia aqui entrevista com Cícera Leite Gomes Barbosa pesquisadora do tema).

Ausência

Na última semana de abril, mais de 100 países, inclusive o Brasil, realizaram mobilização em torno da Semana de Ação Mundial pela Educação, que este ano teve como tema o direito à educação de pessoas adultas. No Brasil, a atividade é coordenada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação que, entre outras atividades, organizou uma aula pública no Congresso Nacional no dia 28. Infelizmente, a atividade, que envolveu diferentes setores da sociedade civil, além de parlamentares, não foi tema em nenhum veículo.

Fala Educador! Fala Educadora!

Publicaram cartas, artigos ou entrevistas com professoras/es:

Zero Hora (27/04) Pode existir escola interessante, por Danilo Gardim
Folha de S.Paulo (28/04). Educação, carta de Ângelo Shoenacher
Jornal de Santa Catarina (28/04). Educação, carta de José Carlos de Melo
Folha de S. Paulo (30/04). Enem, carta de Kátia Manzione Passos Damasceno
Jornal de Santa Catarina (30/04). Educação, carta de Clésia Marlei Pamplona Reinert
A Notícia (SC, 30/4). As esperanças do novo Enem, por Jacir J. Venturi  
Folha de S. Paulo (3/5). Enem, carta de Silvana Seabra
Diário Catarinense (3/5). O adolescente percebeu que pode tudo, entrevista com Gláucia Teresinha Souza da Silva
Folha de S. Paulo (4/5). Governo do Estado só me atrapalha, entrevista com Camilo da Silva Oliveira

Além da Pauta


ENEM


Aparecida Neri de Souza, professora da Unicamp - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Nora Krawczyk
, professora Unicamp - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Marilse Araujo, assessora Ação Educativa – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Vera Masagão
, coordenadora de programas Ação Educativa – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Homofobia na escola

Cícera Leite Gomes Barbosa, pesquisadora – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Semana de Ação Mundial


Daniel Cara, coordenador Campanha Nacional pelo Direito à Educação – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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