Ensino Médio

Confira avaliações sobre o programa Ensino Médio Inovador, anunciado pelo MEC

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A Ação Educativa organizou, no dia 3 de setembro, uma roda de conversa para debater pontos da atual política nacional para o ensino médio. O Observatório da Educação realizou entrevistas com participantes do evento. Leia abaixo opiniões sobre o programa Ensino Médio Inovador (leia aqui reportagem sobre o programa), de iniciativa do Ministério da Educação (MEC)   


Carlos Artexes Simões - diretor de concepções e orientações curriculares para educação básica do Ministério da Educação

“Em 9 de setembro, o ministro da Educação o apresentará às secretarias estaduais. Nosso entendimento é que isso pode ser importante para a mudança de cultura e transformação na escola média que a gente precisa fazer. Todos sabemos que a escola média não tem dado conta de responder nem na perspectiva do conhecimento necessário, de formação integral necessária nessa etapa final da educação básica, nem no respeito da singularidade e especificidade dos sujeitos que ela atende. O Ensino Médio Inovador é uma proposição que hoje se coloca dentro de contexto de articulação das políticas públicas que possa trazer a questão do currículo para dentro da discussão da política e possa configurar uma nova escola para o Brasil.

Maria Sylvia Simões Bueno – professora da Unesp

“A proposta do MEC é extremamente avançada, principalmente porque ela não se coloca como experimental. O que a coloca como experimental é o parecer do Conselho Nacional de Educação, que restringiu, de certo modo, amarrou vários avanços que a proposta inicial tinha. Mas ela é extremamente propícia para este momento, precisamos rediscutir a escola de ensino médio, e esse é um caminho. Mas penso que as diretrizes curriculares nacionais precisam ser reformuladas. Precisamos de um marco legal mais coerente do que as diretrizes curriculares de 1998. Fiquei um pouco preocupada também porque o documento faz uma discussão conceitual a respeito do que seja escola unitária e o documento do CNE resignifica esses conceitos numa linha da Unesco, para não dizer liberal. Então, fico um pouco preocupada inclusive porque ouvi a professora Maria Inês Fini dizendo que está tudo amarrado e que as diretrizes estão postas. Estão no documento do CNE, e isso me preocupa. Por isso, acredito que há necessidade de uma reformulação, uma atualização das diretrizes curriculares nacionais”.   

Helena Singer - diretora pedagógica da Associação Cidade Escola Aprendiz

“É uma proposta bastante interessante, articula aspectos importantes por considerar a importância de a escola ser prazerosa, de mudar a cultura escolar considerando a gestão, o tempo, o espaço e o currículo, tudo de forma integrada com projeto pedagógico. Então, é uma proposta bastante consistente. Mas, poderia ser mais inovadora ainda se tivesse proposto mecanismos de avaliação mais coerentes com essa inovação toda que propõe para a proposta pedagógica, não se apoiando nos mecanismos de avaliação que são arbitrários e autoritários”.

Maria de Salete Silva - Unicef


“Vamos inclusive acompanhar o programa Ensino Médio Inovador, com o olhar da escola. É uma proposta que permite que escolas desenvolvam arranjos e possibilidades de aprendizagem dos alunos, e que ouça os alunos e que faça do projeto dela um projeto que seja parte do projeto de vida dos adolescentes. Talvez essa seja uma grande contribuição do programa. No ponto de vista do Unicef, mais do que o currículo isoladamente, o número de horas isoladamente, mas o conjunto e o fato de considerar que a escola pode construir um projeto que responda às suas indagações”.

Jeferson Henrique - projeto Jovens Agentes pelo Direito à Educação (JADE), da Ação Educativa

“Tenho medo de que se crie uma ilha de escolas. Acredito que muitas das diretrizes devem ser compartilhadas em regime de colaboração para garantir que os estados tenham responsabilidade sobre toda rede. Porque se pode criar, como já existe com o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefets), uma elite, que tem um custo aluno alto em comparação às outras escolas. Além disso, podem ser criados mecanismos de seleção diante da procura. É preciso pensar o ensino médio nas bases do documento, mas para todas as redes dos estados, deve ter caráter de universalização. E os estados não podem se omitir. Outra preocupação é a questão dos recursos, de como serão garantidos”.

Maria Inês Fini - assessora de Currículo e Avaliação da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo

“Vejo com muitos bons olhos toda agitação que a iniciativa do MEC está provocando no meio educacional. De certa forma, se retoma todos os princípios da reforma de 1998, o conceito mais abrangente de aprendizagem, a interdisciplinaridade, a contextualização, acho muito interessante. O que me preocupa é que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) ficou de fora. E também não há muita clareza acerca da articulação entre a ação do governo federal e ação do gestor da escola, seja ele ente estadual ou, em alguns casos, municipal. Em São Paulo, já temos as três mil horas no currículo, a flexibilização, o atendimento e chama a atenção para o protagonismo juvenil que deve ser mais estruturado, essa é uma questão muito interessante que se coloca. Há também ausência no texto do ensino noturno”.

Observatório da Educação – O Governo de SP vai aderir ao programa?

Maria Inês - Não se trata de aderir ou não. O governo de SP está absolutamente aberto para discutir com o MEC a extensão de uma ação como essa. Não temos condições de fazer algo que seja experimental e não tenha repercussão para toda rede. Então, estamos abertos à discussão, para vermos uma melhor maneira para que a rede pública paulista também possa se apropriar dessas boas inovações. Tudo isso depende de uma clareza maior. Nossa inovação está na ênfase nas tecnologias e nos laboratórios, o que seria interessantíssimo.

Vejo as dificuldades do ponto de vista da gestão, como trabalhar com uma ou duas escolas? Se forem positivos, como o Estado dará conta de esparramar para toda a rede? São questões discutíveis, parcerias desejáveis, mas é necessário haver uma conversa mais detalhada, para a qual nem o próprio MEC está pronto. É uma fase muito interessante de amadurecimento, de análise, de sugestões. E tenho muito orgulho em dizer que o estado de SP está em posição privilegiada. Imagina o que acarretaria para nosso orçamento se tivéssemos de ampliar o currículo para três mil horas? SP já tem isso, então não tem problemas para discutir essa proposta. Mas outros estados brasileiros terão muitos problemas, principalmente orçamentários.  

 

Comentários  

 
0 # Trabalho com o ENSINO MÉDIO INOVADORMarco Antonio Bertoldo dos San 27-11-2010 21:00
Neste término de ano de 2010 faço uma breve avaliação sobre o EMI na minha unidade educacional, aqui no Rio de janeiro.
O desenvolvimento de um processo de ensino e aprendizagem interdisciplina r diário não foi alcançado, ações pontuais - projetos, oficinas e outros - permitiram uma prática interdisciplina r, mas que muitas das vezes não ficou clara para os alunos.
Os projetos desenvolvidos e suas culminâncias foram maravilhosos e bastante gratificante o que levou a empolgação dos alunos.
Mas existe um obstáculo crucial a ser superado, a vontade política, pois a falta de compromisso do governo em querer pagar ao professor para atuar em horários extras esta suprimindo os conteúdos escolares e levando os alunos a tornarem-se despreparados para os exames diversos.
Na minha opinião isto torna o EMI um fiasco.
Nossa escola não pode tornar-se uma ONG ou façamos um trabalho sério com educação integral ou não façamos projetos políticos inovadores.
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0 # Sobre o EMImarco antonio 28-11-2010 21:00
Como disse anteriormente o EMI pode ser um fiasco no seu primeiro ano por ser algo novo. Mas com vontade e determinação, alguns ajustes pode agregar valor a educação brasileira tal cheia de propostas.
Abraços!!
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0 # EMIlucia carneiro de carvalho 24-02-2011 16:18
Sou professora na PB,e a escola que trabalho foi contemplada com o EMI, fizemos a capacitação no Rio de Janeiro tudo maravilhoso, mas ficou no papel . A contrapartida do estado era implantar uma gratificação aos prof. para que pudessem participar dp EMI na escola e até a presente data nada . O novo secretário não sabe nem o que é o EMI.Pena, pois teria dado certo se o estado tivesse apoiado.Esse é o descaso da nossa educação, nenhum projeto tem continuidade.
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0 # RE: Confira avaliações sobre o programa Ensino Médio Inovador, anunciado pelo MEC Ruth Del Castilo 16-03-2013 09:30
O EMI é um programa que prorciona autonomia para escola, se os autores tiverem objetivos em comum, há possibilidades de avanço na educação da escola que implementa-lo com compromisso.
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